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Porque falham as marcas?
Muitas das marcas que existem, não
conseguem ter valor, nem para os clientes
nem para a organização
que as detêm, por um conjunto de
razões de vária ordem,
mas que de forma genérica, se
centram em torno de 5 grandes áreas:
- Análise deficiente ou incompleta
do mercado, dos concorrentes e da própria
empresa;
- Falta de conhecimento da gestão
de topo da organização,
empresa ou instituição,
do que é uma marca, para o que
serve, como se cria e como se desenvolve;
- Identidade mal definida e estratégia
mal concebida;
- Implementação da estratégia
feita sem coerência, sem qualidade
e sem recursos suficientes;
- Inexistência regular de auditorias à identidade
e imagem da marca.
Como sabemos, muitas vezes as marcas
são lançadas sem se avaliar
do potencial do mercado-alvo, em termos
de dimensão, fase de desenvolvimento,
nível concorrencial, facilidade
de entrada, etc. Se o mercado-alvo está numa
fase de maturação ou declínio,
se é muito pequeno em termos de
dimensão, se existem muitos concorrentes,
se algum concorrente tem uma posição
de grande domínio ou se os custos
de mudança são muito elevados, é pouco
provável que uma marca nova vá ter
sucesso, a não ser que tenha uma
vantagem competitiva diferencial de tal
modo forte, segundo a óptica dos
seus potenciais clientes, que os levem
a mudar para ela.
Nalgumas empresas, o gestor principal,
não tem uma visão estratégica
para as marcas, nem da forma como elas
se devem organizar entre si. Muitos pensam
que só servem para gastar dinheiro
em publicidade, nunca entendendo que é através
das marcas que a organização
cria relações com o mercado.
Uma marca representa em síntese,
uma promessa de relação
com os seus clientes. Quanto mais essas
relações estiverem carregadas
de afectividade, maior será a
lealdade dos clientes, mas também
maiores serão as suas exigências.
Como dizia Bob Drom, um distribuidor
das motos da marca Harley – Davidson
em Oakland, nos Estados Unidos, “ Que
outra marca você vê tatuada
no corpo das pessoas”?
A vida de uma marca é como a
vida de uma pessoa: nasce, cresce, vive
a maior parte do tempo em estado adulto
e se não for bem cuidada, morre.
O papel dos gestores é evitar
a sua morte, aumentando-lhe o tempo de
vida, e também e o seu valor.
Uma terceira ordem de razões
pelo falhanço das marcas, prende-se
com uma identidade pouco clara ou de
alcance limitado.
Isto acontece quando a marca está muito
ligada a um único atributo do
produto ou serviço, realçando
apenas os benefícios funcionais
decorrentes da utilização
desse produto ou serviço, negligenciando
os benefícios de carácter
emocional ou de auto-estima. Um segundo
erro tem a ver com um posicionamento
deficiente, muitas vezes pouco diferenciador
ou demasiado “colado” ao da marca que
lidera o mercado.
A situação actual da General
Motors, de quase falência, tem
a ver com o erro, entre outros, das várias
marcas da empresa tentarem todas o mesmo
segmento de mercado, não se diferenciando
o suficiente em termos de mercado – alvo,
de design e de proposta de valor. Se
nos lembrarmos que foi precisamente o
seu primeiro presidente, Alfred Sloan,
que introduziu a prática da segmentação
do mercado!!!
Se a estratégia da marca não
teve em conta as aspirações
da marca a longo prazo e se foi concebida
para resolver problemas financeiros de
curto prazo, será também
de curto prazo o seu tempo de vida.
Um outro tipo de razões porque
as marcas não têm sucesso,
prende-se com uma implementação
da estratégia sem coerência,
especialmente uma comunicação
não integrada, passando mensagens
contraditórias e desconexas. A
falta de recursos afectos à marca,
nomeadamente uma organização
que viva a marca, que lhe seja dedicada
e que transborde de entusiasmo, com responsabilidades
bem definidas, ou a falta de fundos financeiros
para apoiar o desenvolvimento correcto
do produto e/ou dos serviços,
o lançamento da marca em termos
comunicacionais, um preço desajustado
ou uma disponibilidade deficiente da
marca no mercado, podem pôr em
causa o seu futuro.
Por último, o facto de não
se auditar regularmente a identidade
e a forma como esta é percebida
pelo mercado (a sua imagem) levam a que
distorções, que não
sejam corrigidas prontamente, possam
conduzir a uma situação
em que, quer a sua qualidade quer a sua
relação com o preço
praticado não venham a ser percepcionados
correctamente, o que tem como consequência
a geração de associações
incorrectas, conduzindo a uma cada vez
menor lealdade dos clientes e portanto
a uma diminuição das suas
vendas.
Para que uma marca tenha sucesso tem
que se cuidar dela durante toda a vida. É um
trabalho contínuo que nunca se
esgota. Perguntaram uma vez a um antigo
presidente da Coca-Cola, Roberto Goizueta,
qual era a sua principal responsabilidade,
e ele respondeu "aumentar o valor da
marca".
© Joaquim Afonso Malato de Sousa
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